domingo, junho 07, 2009

CAIM E ABEL : origem das diferenças !

Estive , estou e continuarei à procura da melhor explicação para as "intransponíveis" diferenças sociais (grupos , classes , pessoas). A "equidade" NÃO EXISTEEEEEE , afinaaaaal !!!!!??

Nem mesmo o socialismo real deu conta de extirpar completa e perfeitamente esta pedra pontiaguda, pois com tempo , ela ( a fenix ruim ) se refaz !

Encontrei esta imagem kitsch , e só o kitsch pode me explicar o fake das disparidades sociais:





Supostamente , Abel e Caim . Abel pequeno , discreto. Caim grande , nada discreto. Abel está enlevado num paraíso mental. Caim , provavelmente , no melhor dos casos, reflete sobre os problemas da vida humana e em como resolvê-los ; e , no pior dos casos, talvez esteja engendrando a morte de Abel.

Neste domingo , lia Baudelaire ao lado do leito de meu pai , que já está muito velho. Ele me perguntou o que eu estava lendo. Já que totalmente surdo , tentei lhe responder escrevendo em letras garrafais "B A U D E L A I R E" , mas ele só pode ir até a terceira letra e desistiu, pois também enxerga mal . Eu que também já não enxergo bem e tenho algum problema de audição ( por desgaste provocado pelo ambiente ruidoso onde trabalho) , ainda uso a porcentagem de sentidos que me restam para ler alguma coisa. Hoje lia este poema que me forneceu uma provável investigação das origens das desigualdades sociais (reconheço que isso pode não permear as reais intenções de Baudelaire ao escrevê-lo), ao que reproduzo a seguir :

ABEL E CAIM
I
Raça de Abel, só bebe e come,
Deus te sorri tão complacente.

Raça de Caim, sempre some
No lodo miseravelmente.

Raça de Abel, teu sacrifício
Doce é ao nariz do Serafim!

Raça de Caim, teu suplício
Será que jamais terá fim?

Raça de Abel, tuas sementes
E teu gado produzirão;

Raça de Caim, sempre sentes
Uivar-te a fome como um cão.

Raça de Abel, não tremas nunca
À lareira patriarcal;

Raça de Caim, na espelunca,
Treme de frio, atroz chacal!

Raça de Abel, pulula! Ama!
Teu oiro é sempre gerador.

Raça de Caim, alma em flama,
Cuidado com o teu amor.

Raça de Abel multiplicada
Como a legião dos percevejos!

Raça de Caim, pela estrada
Arrasta a família aos arquejos.

II
Raça de Abel apodrecida
Há de adubar o solo ardente!

Raça de Caim, tua lida
Nunca te será suficiente;

Raça de Abel, eis teu labéu:
Do ferro o chuço é vencedor!

Raça de Caim, sobe ao céu
E arremessa à terra o Senhor!


'Caim e Abel' faz parte do poema 'A negação de São Pedro', de "AS FLORES DO MAL" , de Charles Baudelaire (1821 - 1867).

O poeta, que experienciou a vida do submundo e das periferias , foi abominado pela burguesia parisiense, sabia bem o que é ser considerado e tratado gratuitamente como um "filho de Caim".

A

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