terça-feira, junho 30, 2009

sábado, junho 27, 2009

O "entusiasmo" de Guerra Junqueiro

Queria ser padre , mas se tornou escritor, poeta panfletário , anticlerical , humanista , pacifista, republicano*

"O que é a vida?

A vida é o mal. A expressão última da vida terrestre é a vida humana, e a vida dos homens cifra-se numa batalha inexorável de apetites, num tumulto desordenado de egoísmos, que se entrechocam, rasgam, dilaceram.O Progresso, marca-o a distância que vai do salto do tigre, que é de dez metros, ao curso da bala, que é de vinte quilómetros. A fera, a dez passos, perturba-nos. O homem, a quatro léguas, enche-nos de terror. O homem é a fera dilatada.

Nunca os abismos das ondas pariram monstro equivalente ao navio de guerra, com as escamas de aço, os intestinos de bronze, o olhar de relâmpagos, e as bocas hiantes, pavorosas, rugindo metralha, mastigando labaredas, vomitando morte. A pata pré-histórica do atlantossauro esmagava o rochedo. As dinamites do químico estoiram montanhas, como nozes. Se a preza do mastodonte escavacava um cedro, o canhão Krup rebenta baluartes e trincheiras. Uma víbora envenena um homem, mas um homem, sozinho, arrasa uma capital."


"Quem se quiser salvar, há de salvar os outros. Quem renegar a natureza, renega Deus. A ascese egoísta, eis o ateísmo verdadeiro. A imobilidade é sacrílega, a escuridão é sacrílega, o silêncio é sacrílego. A vida é som, é luz, é movimento. A vida marcha por abismos, trágica e formidável, mas ruidosa e sinfónica, vestida de luz e de mil cores. Amortalhá-la de negro, arrancar-lhe a língua, para que não cante, e os olhos, para que não deslumbre e não dardeje, é como se lhe cravássemos no coração uma facada sinistra. O quietismo beato, apagando o universo, apaga Deus. Quietismo e niilismo,--dois zeros, dois sinónimos. O frade católico, na concha da mão, exangue e paralítica, sustenta uma caveira. É o nada olhando o não ser. O monge ideal, na dextra poderosa, em vez da caveira, tem um globo de oiro constelado. Tem o universo. É o monge futuro."
1902.3 / Guerra Junqueiro ( 1850-1923).

Carta-Prefácio de GUERRA JUNQUEIRO para o livro "Os Pobres" de RAUL BRANDÃO
http://www.gutenberg.org/files/20841/20841-h/20841-h.htm

Poemas de Guerra Junqueiro
http://www.becodogatopreto.hpg.ig.com.br/poesias/guerra01.html

O que me agrada em Guerra Junqueiro é seu entusiasmo, bem explicado aqui : http://www.bragancanet.pt/filustres/guerra.html

*A monarquia portuguesa se extinguiu apenas em 1910. Ser republicano antes disso, em Portugal , era ser um revolucionário. O anticlericalismo , em Guerra Junqueiro, não representava falta de espiritualidade cristã, mas sim a crítica ao poder político conservador exercido pela Igreja Católica naquele momento monarquista.
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Imposssível não lembrar das aulas de literatura da Madre Simões !!
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Um "Bê-á-bá" da Arqueologia , do século XIX

NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA
OBRA ILLUSTRADA COM 324 GRAVURAS
E
UMA INTRODUCÇÃO
Do Sr.
I. DE VILHENA BARBOSA
Socio Effectivo da Academia Real das Sciencias
DEDICADA Á MEMORIA DO ILLUSTRE ARCHEOLOGO
MR. A. DE CAUMONT
por
JOAQUIM POSSIDONIO NARCISO DA SILVA
Architecto da Casa Real, Socio correspondente do Instituto de França, Honorario do Instituto Realdos Architectos Britannicos, da Sociedade Franceza de Archeologia, da Sociedade Central dos Architectos de Paris,correspondente da Academia Real de S. Fernando,fundador do Museu de Archeologia em Lisboa, etc. etc. etc.
MEDALHA DO CONGRESSO ARCHEOLOGICO DE LOCHES CONFERIDA NA SUA SESSÃO DE JUNHO DE 1869
LISBOA
LALLEMANT FRÈRES
6, Rua do Thesouro Velho, 6
1878
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A SUA ALTEZA REAL
O SERENISSIMO PRINCIPE
D. Carlos Fernando Pedro d'Alcantara
DUQUE DE BRAGANÇA
Com a mais respeitosa homenagem
O. D. C.
O humilde auctor d'este compendio
JOAQUIM POSSIDONIO NARCISO DA SILVA.
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Texto integral com ilustrações

Brinquedos de Meninos Quietos

27/06/2009
http://blogdafolhinha.folha.blog.uol.com.br/arch2009-06-21_2009-06-27.html

’Um Pequeno Tratado de Brinquedos para Meninos Quietos", da arte- educadora Selma Maria , é um livro que resulta de uma pesquisa pelo sertão mineiro, local da infância do escritor João Guimarães Rosa. A seguir uns trechos da entrevista com a autora. Coisa mais interessante:



Como são os brinquedos do sertão mineiro?

Os brinquedos do sertão não passam pela estética da loja. É como se fosse um pré-brinquedo, assim como existe uma pré-escola ou uma pré-história.

Como assim pré-brinquedo?

Vou dar um exemplo. O Guimarães tinha um sonho de ter um boizinho verde, mas não tinha tinta no sertão. Então, ele pegava a manga e fazia dela um boizinho. Isso é o que eu chamo de pré-coisa, lembrando o Manoel de Barros. Não é exatamente o desenho do boi, mas o seu olhar te leva para aquilo. Não é o boi com chifre, todo acabado, mas é muitas vezes é um brinquedo que sugere alguma coisa.

Como as crianças brincam no sertão?

As crianças fazem bastante os brinquedos ainda no sertão. Em Andrequicé, por exemplo, os meninos brincam muito de fazer caminhão de lata, sonham em ser caminhoneiros. Vi muitos brinquedos nascidos da planta do milho, que, com certeza, nasceram de um momento de tédio na roça. Esses brinquedos nascem da lida com a lavoura, da roça. E estão sempre na relação adulto/criança. Muitos brinquedos são um ritrual de passagenm entre a vida da criança e o trabalhador adulto.

Que lugar é o sertão?

Tem uma coisa que Guimarães diz que é: “O sertão está dentro da gente”. O sertão são esses vazios que estão dentro de nós e que vamos preechendo com o que temos de mais precioso. O sertão é um lugar de descoberta, eu tive que ir longe para descobrir isso.

Milton Nascimento - Lô Borges - Clube da Esquina N°2 (1997)

Milton Nascimento - Clube da Esquina N°1 (1997)

quarta-feira, junho 24, 2009

1914-1918


O SOBREVIVENTE

"Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais."

Carlos Drumond de Andrade


RECEITA PARA FAZER UM HERÓI

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.


Reinaldo Ferreira

http://www.learnonline.splinder.com/post/20466523/THE+FIRST+WORLD+WAR+AND+THE+PO
http://www.warpoetry.co.uk/end_of_First_World_War_90th_anniversary.html





















AN END OF DREAMS
OLIVER SINGING
Oliver's singing
Comes down to my study,
As I sit in the twilight
Poring the problem
Of this old battered planet,
This universe tragical,
Bloodily twirling.
Nearly all his small span
And through both of his birthdays
This senseless hell-fury,
This horror has hurtled,



Yet he lies in his cot,
Happy, sleepy and singing.
Thus - I muse - at the core -
Of our battered old planet,
Something young and untainted.
Something gay and undaunted,
Like a bud in its whiteness
Like a bird in its joy.
Through the foul-smelling darkness,
Through the muck and the slaughter,
Pushes steadily forward.
Singing.

Israel Zangwill

segunda-feira, junho 22, 2009

"Talvez a vida seja apenas isso ... um sonho e um medo".

Joseph Conrad


Conrad, Joseph, 1857–1924, Romancista inglês, B. Berdichev, Rússia (agora Berdychiv, Ucrânia), Jósef Teodor Konrad Walecz Korzeniowski , seu nome de origem. Nascidos de pais poloneses, ele é considerado um dos maiores romancistas e estilistas de prosa em literatura inglesa. Em 1874, Conrad foi ao mar e mais tarde juntou-se (1878) a uma empresa de transporte comercial, tornando-se (1884) um mestre-marinheiro, como também um cidadão britânico. Quando se aposentou da frota mercantil em 1894, ele começou a sua carreira como um romancista, e todos os seus romances foram escritos em Inglês, um idioma adquirido. Seus primeiros trabalhos notáveis incluem The Nigger of the Narcissus (1897), Lord Jim (1900), e o novellas Youth (1902), Heart of Darkness (1902) and Typhoon (1903) e . Os romances Nostromo (1904), The Secret Agent (1907), Under Western Eyes (1911), e Chance (1913) são considerados por muitos como os maiores trabalhos do Conrad. De seus trabalhos mais antigos, Victory (1915) é o mais conhecido. Ele também colaborou em dois romances com Ford Madox , 1873–1939, (autor inglês; neto de Ford Madox Brown), The Inheritors (1901) and Romance (1903). Marcado por um estilo de prosa distintiva, opulenta, os romances de Conrad combinam realismo e alto drama. Suas colocações incluem panoramas náuticos como também a alta sociedade , e política internacional. Conrad era um criador qualificado de personagens e atmosferas; o choque de várias situações são ampliados por seu uso de simbolismos. Ele retratou intensamente o conflito entre culturas não-ocidentais e civilização moderna. Seus personagens exibem as tendências para o isolamento e a deterioração moral ao viverem a vida moderna.

Traduzido de "The Columbia Electronic Encyclopedia" http://encyclopedia2.tfd.com/Conrad,+Joseph
Mais em http://tudomudatudo.blogspot.com/2009/05/desse-oficio-de-dar-aulas.html

quarta-feira, junho 17, 2009

Já desconfiava que assim fosse ...


Pesquisa indica que há 99,3% de preconceituosos no ambiente escolar

publicado em 17/06/2009 no portal UOL

por Flavia Albuquerque
Da Agência Brasil


Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial.

Um estudo, divulgado nesta quarta-feira (17), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) a pedido do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores. "Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante", disse.Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% étnico-racial e 20,65% territorial.O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secad (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade) do MEC (Ministério da Educação), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade."No MEC já existem iniciativas nesse sentido [de respeito à diversidade], o que precisa é melhorar, aprofundar, alargar esse tipo de abordagem, talvez até para a criação de um possível curso de ambiente escolar que reflita todas essas temáticas em uma abordagem integrada", disse.

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/06/17/ult105u8241.jhtm

terça-feira, junho 16, 2009

Governo de Pernambuco

Chapéu de Palha: canavieiros começam aulas nesta quarta
Publicado em 16.06.2009
Do JC Online

Cinco mil canavieiros que vivem em 52 municípios da Mata Norte começam a estudar nessa quarta-feira (17), através do Programa Chapéu de Palha, do Governo do Estado. Eles terão aulas de alfabetização ou aperfeiçoamento da leitura e escrita. Os cursos ocorrem sempre no período da entressafra, quando os trabalhadores rurais ficam sem serviço. Durante três meses, são quatro horas de aula por dia. Os participantes recebem uma bolsa de até R$ 232,50, o que equivale a 50% do valor do salário mínimo.
Na área da fruticultura irrigada, no sertão, onde o Programa foi lançado este ano, as aulas começam a partir do dia 25. Devem participar cerca de sete mil agricultores de sete municípios. Além do curso de aperfeiçoamento do processo de leitura e escrita, eles também terão duas horas voltadas aos cursos de doces, confeitaria, horticultura e artesanato que serão ministrados pela secretaria da Juventude e Emprego.
O programa Chapéu de Palha foi lançado em 1989 pelo ex-governador Miguel Arraes e reeditado em 2007. Em três anos, ele atendeu mais de 30 mil alunos.

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Adoraria poder votar em candidatos à Presidência da República como Eduardo Henrique Accioly Campos, atual governador de Pernambuco.

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PARA A LISTA DO QUE SE TEM AINDA QUE ASSISTIR

'Espelho Mágico' / 'Magic Mirror' (2006) - TRAILER

sábado, junho 13, 2009

Gertrude Stein em meditação !?

"A escultura ( obra de 1920 feita pelo escultor norte-americano Jo Davidson) só foi instalada em 1992 , mas, mesmo assim —dizem— foi a primeira estátua feminina na cidade(de Nova york), sem contar a de Mamãe Gansa, no Central Park."

"Uma rosa é uma rosa ... é uma rosa ...uma rosa ."

A
"O Buda Piramidal..." é um artigo curioso , onde me dei conta
da existência dessa escultura de uma quase "Gertrude Stein búdica " e segredos culinários bizarros (ah ah!).
O artigo está em

sexta-feira, junho 12, 2009

Mais Tambor : Cangoma !

"Tava durumindo
cangoma me chamou
Disse levanta povo
cativeiro já acabou."

Há um tambor grande chamado de cangoma ou angoma. Esse tambor avisa , no registro da canção, o fim da escravidão , como os sinos das Igrejas que tocavam avisando e marcando os momentos importantes da vida da comunidade.

Segundo um site bacana do Centro Cultural Cangoma , na cidade de Franca , no Estado de São Paulo, a palavra "cangoma" significa também “festa dos tambores”. Fazer um Cangoma significa “vamos festejar”.

A canção "Cangoma" é um vissungo , e está cantada originalmente no disco "Canto dos Escravos"(1982 ?), de Clementina de Jesus. O vissungo , nome dado ao canto dos escravos das lavras de mineração em Diamantina - MG, faz parte de uma coleta etnolinguística feita em 1928 ( veja mais sobre vissungos em http://tudomudatudo.blogspot.com/search?updated-max=2009-04-25T20%3A50%3A00-03%3A00&max-results=15 )

A mesma canção Cangoma também é cantada hoje por aí , só que enxertada no Hino do Congresso Nacional Africano , que fica registrada sob o título "Tambores de Mina" . Tal nome advêm do Maranhão, dos cultos de origem africana realizados nas casas ou terreiros de mina, que se asemelham aos candomblés. Mina é um grupo étnico do Gana (negros sudaneses) - antigos negociantes de escravos da região do Forte São Jorge de Mina, situado na Costa do Ouro. Acaba ficando uma grande mistura de origens e informações, África , Maranhão e Minas Gerais.


Tambores de Mina (Cangoma)

Nkosi sikelel'i Àfrika
Maluphakanyslw'uphondo iwayo
Tava du r umindo, tambor me chamou
N'kosi sikelela thina lusapho iwayo

Sansa Kroma
yo kye kye kokomba
Sansa kroma nena yo...

"Tava durumindo cangoma me chamou".
"Tava durumindo cangoma me chamou"
Disse levante povo cativeiro já acabou

Sansa Kroma
Nena yo
kye kye kokomba
Sansa kroma
Nena yo... Kokomba (bis 4x)


Sobre a parte da canção em língua africana , é o Hino do Congresso Nacional Africano , encontra-se tradução no youtube http://www.youtube.com/watch?v=APGZiMcDvYY . Fundado em 1912 , o Congresso Nacional Africano é hoje a principal legenda partidária na África do Sul. Criada para combater a segregação racial , teve entre um de seus maiores lideres, o ex-presidente Nelson Mandela.

Outras informações e letras estão nos site http://www.meninosdomorumbi.org.br/banda/partituras/tambor.htm (pode-se ouvir a música indo lá) ; e em http://cangoma.blogspot.com/ .

O Mawaca tem uma linda gravação desta canção em "Astrolábio Tucupira"(2003), e ainda homenageiam Clementina de Jesus colocando no final da canção a sua voz.

Outro grupo maravilhoso , que pesquisa o mesmo campo da identidade musical brasileira, é o Vozes Bugras :http://www.myspace.com/vozesbugras


O canto da sobrevivência do "ser" urbano e contemporâneo, por Meredith Monk

The Tale ,
de Meredith Monk

I still have my hands
I still have my mind
I still have my money
I still have my telephone
I still have my allergies
I still have my philosophy




From a reconstruction of Meredith Monk’s 16 Millimeter Earrings, 1980. (c. Kenneth Van Sickle via NY Times) / imagem publicada no do site http://thetotam.com/culture/2009/02/


Prá ouvir (pena que só tem o início, ela nem chega a cantar a letra): http://musicaonline.sapo.pt/prelisten/9181398/The_Tale_Meredith_Monk_-_Meredith_Monk_Collin_Walcott_Steve_Lockwood

quinta-feira, junho 11, 2009

"JAMARI´S DRUM", um livro sobre DJEMBE


Um livro maravilhoso , que me emprestaram, traz a história de um tambor africano ( o djembe ) e de um menino de bom coração , Jamari , que sempre respeitou as tradições e os anciãos de sua aldeia. Ele se torna herdeiro de uma nobre e necessária missão : bater o djembe, o tambor da tradição ancestral, sem deixar de tocá-lo um único dia de sua vida. Mas Jamari cresceu e constituiu família , e “esqueceu” (deixou!) de tocar o djembe, então , tragédias começaram a acontecer. Desequilíbrios da natureza, medo e desespero transformam a vida da aldeia. Jamari , como os heróis de nossos desejos , vai salvar a sua aldeia tocando o djembe.

Entre as tantos lições possíveis desta pequena narrativa, está a idéia de que“quem não abandona suas tradições não arranja , nem provoca, encrencas”. Isso se você se encontrar em contexto cultural próprio. Senão vejamos , ao serem trazidos para o Brasil , os africanos tiveram que aguentar a carraspana das "sinhás" e dos "sinhôs", como bem lembra o compositor João da Baiana , "batuque na cozinha a sinhá não quer, por causa do batuque eu queimei meu pé". Aqui , seja no contexto "colonial" ou da "ex-colônia" , preservar elementos da cultura africana era "arranjar encrenca".

E incrivelmente , sem relação direta com o livro , conversava com uma jovem educadora, dias destes – a mesma que me emprestou o livro - e ela disse algo que seu irmão lhe dizia, algo como “quem se agarra aos livros não arranja encrencas”.

Livros e tambores podem ser formas de resistência, podem denotar a liberdade que queremos , mas ao mesmo tempo pode significar a dependência aos “fetiches” de nossa cultura. Não importa , são MÁGICOS e MARAVILHOSOS “fetiches” , os livros e os TAMBORES.


KASSOUMSANOGO djembe solo 4

TAMBORES , os da África

Símbolo da resistência , exteriorização das batidas do coração, o TAMBOR em seus vários significados em diversas culturas, e seus vários nomes. Um de seus nomes é DJEMBE.

Djembê (também chamado de djimbe, jembe, jenbe, yembe e sanbanyi) é um tipo de tambor originário de Guiné na África ocidental.



OBS : Guiné é o nome dado à costa africana que vai aproximadamente desde o Cabo Verde, no Senegal, até à foz do rio Ogowe, no Gabão. Por vezes é estendido mais a sul até à foz do rio Rio Congo.

A

Desconheço os créditos desse vídeo , mas indico a origem http://www.youtube.com/watch?v=zxKHN0HSuzA

Violeta Parra Chile

A própria Violeta tocando seu tambor e mostrando suas alquimias artísticas orientadas pela tradição da resistência indígena.

Pedro Aznar Canta Violeta Parra

ARRIBA QUEMANDO EL SOL

Cuando fui para la pampa
Llevaba mi corazón
Contento como u chirihue
Pero allá se me murió,
Primero perdí las plumas
Y luego perdí la voz
Y arriba quemando el sol.

Cuando ví de los mineros
Dentro de su habitación
Me dije mejor habita en
Su concha el caracol,
O a la sombra de las leyes
El refinado ladrón,
Y arriba quemando el sol.

Las hileras de casuchas
Frente a frente, si señor,
Las hileras de mujeres
Frente al único pilón
Cada una con su balde,
Y con su cara de aflicción,
Y arriba quemando el sol.

Fuimos a la pulpería
Para comprar la ración
Veinte artículos no cuentan
La rebaja de rigor.
Con la canasta vacía
Volvimos a la pensión.
Y arriba quemando el sol.

Zona seca de la pampa
Escrito en un cartelón
Sin embargo van y vienen
Las botellas de licor
Claro que no son del pobre
Contrabando del señor,
Y arriba quemando el sol.

Paso por un pueblo muerto
Se me nubla el corazon
Aunque donde habita gente
La muerte es mucho mayor
Enterraron la justicia,
Enterraron la razón,
Y arriba quemando el sol.

Si alguien dice que yo sueño
Cuento de ponderación
Digo que esto pasa en chuqui
Pero en santa juana es peor.
El minero ya no sabe
Lo que vale su dolor,
Y arriba quemando el sol.

Me volví para santiago
Sin comprender el dolor
Con que pintan la noticia
Cuando el pobre dice no
Abajo la noche oscura
Oro, sangre y carbón,
Y arriba quemando el sol.

terça-feira, junho 09, 2009

SIM

"Eu vou te negar
Tão completamente
Que mesmo olhar o sol de frente
Não vai me cegar."

Música e letra de Beto Pelegrino e Ariston
http://www.brasilmusik.de/j/jussara-silveira/jussara-silveira-luiz-brasil-nobreza/jussara-silveira-luiz-bra-no-06.mp3
A

segunda-feira, junho 08, 2009

Das prioridades , quais são ?


"Aún no está definido claramente qué es ser humano, dado que cualquier faceta de nuestra cultura o incluso de nuestra biología sigue abierta a la innovación y a un nuevo entendimiento. No sabemos cómo seremos dentro de mil años —o simplemente si seremos, dado lo absurdamente letal de muchas de nuestras creencias— pero sean cuales sean los cambios que nos esperan, hay algo que probablemente no va a cambiar; la diferencia entre sufrimiento y felicidad va a seguir siendo lo más importante para nosotros. Queremos así entender todos los procesos —bioquímicos, éticos, políticos, económicos, espirituales, etc.— que suponen dicha diferencia."

O restante deste texto está publicado no Blog do monge zen Dokushô Villalba
http://planetaconciencia.blogspot.com/2009/06/mata-buda-mata-el-budismo.html

domingo, junho 07, 2009

CAIM E ABEL : origem das diferenças !

Estive , estou e continuarei à procura da melhor explicação para as "intransponíveis" diferenças sociais (grupos , classes , pessoas). A "equidade" NÃO EXISTEEEEEE , afinaaaaal !!!!!??

Nem mesmo o socialismo real deu conta de extirpar completa e perfeitamente esta pedra pontiaguda, pois com tempo , ela ( a fenix ruim ) se refaz !

Encontrei esta imagem kitsch , e só o kitsch pode me explicar o fake das disparidades sociais:





Supostamente , Abel e Caim . Abel pequeno , discreto. Caim grande , nada discreto. Abel está enlevado num paraíso mental. Caim , provavelmente , no melhor dos casos, reflete sobre os problemas da vida humana e em como resolvê-los ; e , no pior dos casos, talvez esteja engendrando a morte de Abel.

Neste domingo , lia Baudelaire ao lado do leito de meu pai , que já está muito velho. Ele me perguntou o que eu estava lendo. Já que totalmente surdo , tentei lhe responder escrevendo em letras garrafais "B A U D E L A I R E" , mas ele só pode ir até a terceira letra e desistiu, pois também enxerga mal . Eu que também já não enxergo bem e tenho algum problema de audição ( por desgaste provocado pelo ambiente ruidoso onde trabalho) , ainda uso a porcentagem de sentidos que me restam para ler alguma coisa. Hoje lia este poema que me forneceu uma provável investigação das origens das desigualdades sociais (reconheço que isso pode não permear as reais intenções de Baudelaire ao escrevê-lo), ao que reproduzo a seguir :

ABEL E CAIM
I
Raça de Abel, só bebe e come,
Deus te sorri tão complacente.

Raça de Caim, sempre some
No lodo miseravelmente.

Raça de Abel, teu sacrifício
Doce é ao nariz do Serafim!

Raça de Caim, teu suplício
Será que jamais terá fim?

Raça de Abel, tuas sementes
E teu gado produzirão;

Raça de Caim, sempre sentes
Uivar-te a fome como um cão.

Raça de Abel, não tremas nunca
À lareira patriarcal;

Raça de Caim, na espelunca,
Treme de frio, atroz chacal!

Raça de Abel, pulula! Ama!
Teu oiro é sempre gerador.

Raça de Caim, alma em flama,
Cuidado com o teu amor.

Raça de Abel multiplicada
Como a legião dos percevejos!

Raça de Caim, pela estrada
Arrasta a família aos arquejos.

II
Raça de Abel apodrecida
Há de adubar o solo ardente!

Raça de Caim, tua lida
Nunca te será suficiente;

Raça de Abel, eis teu labéu:
Do ferro o chuço é vencedor!

Raça de Caim, sobe ao céu
E arremessa à terra o Senhor!


'Caim e Abel' faz parte do poema 'A negação de São Pedro', de "AS FLORES DO MAL" , de Charles Baudelaire (1821 - 1867).

O poeta, que experienciou a vida do submundo e das periferias , foi abominado pela burguesia parisiense, sabia bem o que é ser considerado e tratado gratuitamente como um "filho de Caim".

A
Minha foto
São Paulo, SP, Brazil