Nenhum remédio educa
Revista Educação- edição 104
Sem diagnóstico seguro, cresce a prescrição de psicotrópicos que "acalmam" e "concentram" crianças consideradas hiperativas e com baixo rendimento escolar
por Lívia Perozim
Há remédios para crianças distraídas, travessas e agitadas. Um deles chama-se Ritalina. O outro leva o sugestivo nome de Concerta. E um terceiro é composto de atenção, cuidado e tolerância. Esse último não causa efeitos colaterais e pode ser prescrito e aplicado por pais e professores, sem contra-indicação. Mas não está à venda e pode faltar em lares e escolas. Os defensores dos dois primeiros medicamentos dizem que os comprimidos acalmam e melhoram a concentração e o rendimento escolar dos usuários. Muitas crianças, e até adultos, mostraram sensíveis melhoras graças ao uso dessas drogas. Outras conseguiram bons resultados ao aprender a conviver com o problema e, em casa e na sala de aula, encontraram soluções que não estão nas prateleiras das farmácias ou nos consultórios médicos.
Não haveria motivo para polêmica se esses remédios não estivessem sendo prescritos em demasia, sem que se saiba ao certo quais são os efeitos no longo prazo e se conheça a doença que prometem tratar: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), também chamado de Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA) ou hiperatividade.
SEGUE .......... em http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11456
terça-feira, dezembro 23, 2008
domingo, dezembro 21, 2008
Só o Islamismo oprime a mulher ?
El País, em 9 de julho 2008
Todas as religiões oprimem a mulher’, diz feminista egípcia*
A
do El País
A
Com 76 anos, a energia e a vitalidade de Nawal El Saadawi é contagiosa. Ela demonstrou isso no Congresso Mundo de Mulheres, realizado em Madri. Os olhos desta lutadora egípcia pela liberdade e a igualdade transmitem uma inesgotável curiosidade. Deixou a psiquiatria para se dedicar plenamente à literatura. Autora de A face oculta de Eva (1970) [Global Editora, 2002], Mujeres y sexo (1972) ou Mujer em punto cero (1973), foi destituída de seu posto de diretora de Saúde Pública e a revista que editava, fechada. Continuou escrevendo e falando em público sobre a situação da mulher árabe e os direitos humanos. Em 1981, foi presa. De dentro da prisão continuou escrevendo, do jeito que pôde, já que foi privada de papel e lápis. Depois de sair da prisão, em 1983, fundou a Associação Solidária de Mulheres Árabes para “tirar o véu das mentes” das mulheres árabes.Segue a íntegra da entrevista publicada no El País, 09-07-2008.
A
Quais são os problemas das mulheres no mundo árabe na atualidade?
A desigualdade. Não haverá igualdade se não houver igualdade entre os países e as classes. 60% da população egípcia vive abaixo do nível de pobreza. A maioria são mulheres, solteiras, mães com filhos, que trabalham para dar de comer à sua família. Além disso, as mulheres têm que enfrentar também o renascimento dos fundamentalismos religiosos; quer sejam islâmicos, cristãos ou judeus. Em qualquer caso, a mulher é oprimida. As mulheres sempre são oprimidas pelas religiões. Sofrem problemas econômicos, políticos, religiosos, problemas para se casar ou problemas vinculados ao véu.
a
O véu é uma imposição?
Sim. Há um passo para trás em relação ao véu e à circuncisão fomentados por parte de todos os fundamentalistas religiosos. Muitas mulheres no Egito tiveram uma ablação. Não tem nada a ver com uma religião particular. Os fundamentalistas cristãos também impõem a ablação das meninas.Costuma-se dizer que são as mulheres que preservam a mutilação genital como tradição. É verdade. São as mulheres que praticam a ablação. São as escravas dos escravos. O homem também é um escravo. Entretanto, a esposa aparece como a escrava do marido.O sociólogo francês Alain Touraine afirma que a mulher terá um papel predominante na sociedade nos próximos 500 anos.
A
Acredita nisso?
Espero que não sejam mulheres como Condoleezza Rice! Ou Margareth Thatcher, Hillary Clinton, Madeleine Albright, Angela Merkel, Golda Meier... São mulheres de direita, que acreditam no patriarcalismo. Mulheres opressoras que oprimem outras mulheres.
A
Que tipo de mulher irá liderar as sociedades?
Não basta ser mulher! É preciso defender a justiça. Espero que a sociedade seja dirigida por progressistas em geral, homens e mulheres.Você foi candidata nas eleições presidenciais no Egito... Foi um gesto simbólico. Utilizei o meu programa eleitoral para conseguir uma visibilidade maior. Quando a polícia me proibiu de fazer campanha eleitoral pude dizer que deixava a campanha e denunciar que não existia verdadeiro sistema democrático. A política global está relacionada ao feminismo. Não há separação entre a dominação sofrida pelas mulheres e a dominação que impera no mundo.
A
Não é possível separar os assuntos de gênero dos outros temas.Como vê o mundo na atualidade? Não há justiça. O poder que domina o mundo é o militar, o econômico, o dos homens, das religiões. Está se usando Deus para oprimir as pessoas, as mulheres e os pobres. Vivemos na selva e temos que lutar contra isso.
*Tradução do Cepat.
do El País
Todas as religiões oprimem a mulher’, diz feminista egípcia*
A
do El País
A
Com 76 anos, a energia e a vitalidade de Nawal El Saadawi é contagiosa. Ela demonstrou isso no Congresso Mundo de Mulheres, realizado em Madri. Os olhos desta lutadora egípcia pela liberdade e a igualdade transmitem uma inesgotável curiosidade. Deixou a psiquiatria para se dedicar plenamente à literatura. Autora de A face oculta de Eva (1970) [Global Editora, 2002], Mujeres y sexo (1972) ou Mujer em punto cero (1973), foi destituída de seu posto de diretora de Saúde Pública e a revista que editava, fechada. Continuou escrevendo e falando em público sobre a situação da mulher árabe e os direitos humanos. Em 1981, foi presa. De dentro da prisão continuou escrevendo, do jeito que pôde, já que foi privada de papel e lápis. Depois de sair da prisão, em 1983, fundou a Associação Solidária de Mulheres Árabes para “tirar o véu das mentes” das mulheres árabes.Segue a íntegra da entrevista publicada no El País, 09-07-2008.
A
Quais são os problemas das mulheres no mundo árabe na atualidade?
A desigualdade. Não haverá igualdade se não houver igualdade entre os países e as classes. 60% da população egípcia vive abaixo do nível de pobreza. A maioria são mulheres, solteiras, mães com filhos, que trabalham para dar de comer à sua família. Além disso, as mulheres têm que enfrentar também o renascimento dos fundamentalismos religiosos; quer sejam islâmicos, cristãos ou judeus. Em qualquer caso, a mulher é oprimida. As mulheres sempre são oprimidas pelas religiões. Sofrem problemas econômicos, políticos, religiosos, problemas para se casar ou problemas vinculados ao véu.
a
O véu é uma imposição?
Sim. Há um passo para trás em relação ao véu e à circuncisão fomentados por parte de todos os fundamentalistas religiosos. Muitas mulheres no Egito tiveram uma ablação. Não tem nada a ver com uma religião particular. Os fundamentalistas cristãos também impõem a ablação das meninas.Costuma-se dizer que são as mulheres que preservam a mutilação genital como tradição. É verdade. São as mulheres que praticam a ablação. São as escravas dos escravos. O homem também é um escravo. Entretanto, a esposa aparece como a escrava do marido.O sociólogo francês Alain Touraine afirma que a mulher terá um papel predominante na sociedade nos próximos 500 anos.
A
Acredita nisso?
Espero que não sejam mulheres como Condoleezza Rice! Ou Margareth Thatcher, Hillary Clinton, Madeleine Albright, Angela Merkel, Golda Meier... São mulheres de direita, que acreditam no patriarcalismo. Mulheres opressoras que oprimem outras mulheres.
A
Que tipo de mulher irá liderar as sociedades?
Não basta ser mulher! É preciso defender a justiça. Espero que a sociedade seja dirigida por progressistas em geral, homens e mulheres.Você foi candidata nas eleições presidenciais no Egito... Foi um gesto simbólico. Utilizei o meu programa eleitoral para conseguir uma visibilidade maior. Quando a polícia me proibiu de fazer campanha eleitoral pude dizer que deixava a campanha e denunciar que não existia verdadeiro sistema democrático. A política global está relacionada ao feminismo. Não há separação entre a dominação sofrida pelas mulheres e a dominação que impera no mundo.
A
Não é possível separar os assuntos de gênero dos outros temas.Como vê o mundo na atualidade? Não há justiça. O poder que domina o mundo é o militar, o econômico, o dos homens, das religiões. Está se usando Deus para oprimir as pessoas, as mulheres e os pobres. Vivemos na selva e temos que lutar contra isso.
*Tradução do Cepat.
do El País
terça-feira, dezembro 09, 2008
Ramo de Delírios
Guinga / Aldir Blanc
Juntei no violão pra você
O que já não tem mais sentido
E amarrei num buquê
Pra reaver o perdido
A terra onde nasceu o Peter Pan
Fica entre a Vila e o Maracanã
Bordei no aveludado do céu
Por trás do cruzeiro do Sul
Um transatlântico azul
E nele vou te levar
Pra um pôr-do-sol com o marinheiro Simbad
Pra uma ciranda em Itamaracá
Orquestra de juritis
Um lago em pleno Sinai ,ai
Dobrões e maravedis, ai, ai
Um cafuné de meu pai, ai, ai
Sereias num lupanar...
Roubei a Ingrid Bergman e fiz
O Humphrey Bogart decolar
De Casablanca e amiguei os dois no Jardim do Alá:
Se não der certo, um fica lá no Leblon
E outro vai prá Jacarepaguá
Peguei os sete anões por aí
E fomos juntos visitar
Levando um ramo de flor
À minha avó na UTI
Ela me disse que a dor é o lugar
Onde o prazer sentou pra descansar
Um iceberg lunar
Nas águas de Paquetá , á
O gol de placa que eu fiz, ai, ai
Tocar com a Leila Diniz, ai, ai
- Última flor do buquê
Guarda o meu ramo de delírios com você.
um trechinho bem pequeno , ouça em http://www.lastfm.com.br/music/Guinga/_/Ramo+de+del%C3%ADrios
Guinga / Aldir Blanc
Juntei no violão pra você
O que já não tem mais sentido
E amarrei num buquê
Pra reaver o perdido
A terra onde nasceu o Peter Pan
Fica entre a Vila e o Maracanã
Bordei no aveludado do céu
Por trás do cruzeiro do Sul
Um transatlântico azul
E nele vou te levar
Pra um pôr-do-sol com o marinheiro Simbad
Pra uma ciranda em Itamaracá
Orquestra de juritis
Um lago em pleno Sinai ,ai
Dobrões e maravedis, ai, ai
Um cafuné de meu pai, ai, ai
Sereias num lupanar...
Roubei a Ingrid Bergman e fiz
O Humphrey Bogart decolar
De Casablanca e amiguei os dois no Jardim do Alá:
Se não der certo, um fica lá no Leblon
E outro vai prá Jacarepaguá
Peguei os sete anões por aí
E fomos juntos visitar
Levando um ramo de flor
À minha avó na UTI
Ela me disse que a dor é o lugar
Onde o prazer sentou pra descansar
Um iceberg lunar
Nas águas de Paquetá , á
O gol de placa que eu fiz, ai, ai
Tocar com a Leila Diniz, ai, ai
- Última flor do buquê
Guarda o meu ramo de delírios com você.
um trechinho bem pequeno , ouça em http://www.lastfm.com.br/music/Guinga/_/Ramo+de+del%C3%ADrios
A ESCOLA que NÃO PENSA II
A
Mais um ataque do governo Serra ao sistema educacional !!!!!!!!!!!!
Vem aí o "projeto Serra" para educação pública em 2009 para todo o Estado de São Paulo :
A
Folha de São Paulo - 06 de dezembro de 2008.
Aluno de escola estadual terá 80 aulas de história a menos
FÁBIO TAKAHASHIDA
A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo decidiu diminuir a carga horária de história no ensino médio, como forma de compensar a inclusão de sociologia no currículo e a ampliação de filosofia, exigências previstas em lei federal.Com a medida, os alunos do ensino público diurno terão 80 aulas a menos de história, considerando os três anos letivos (redução de 22,2%). No noturno, serão 120 aulas a menos (redução de 37,5%). O cálculo da Folha tem base no mínimo de 200 dias letivos ao ano (40 semanas), previsto em lei.O acréscimo de sociologia e o aumento de filosofia são exigências de uma lei sancionada pela gestão Lula (PT) em junho.Ela prevê que as duas disciplinas sejam dadas nos três anos do ensino médio (SP não possuía sociologia na grade e não havia filosofia no terceiro ano).A norma, porém, não estabelece como deve ser feito o acréscimo. O modelo escolhido pelo governo Serra (PSDB) para o próximo ano letivo foi publicado quarta-feira da semana passada no "Diário Oficial".Com o currículo utilizado em 2008, os alunos do ensino médio diurno têm três aulas semanais de história nos três anos do antigo colegial (360 aulas da disciplina no período).Em 2009, o primeiro ano continua igual, mas haverá redução para duas aulas semanais da matéria no segundo e terceiros anos (total de 280).Como base de comparação, um aluno do Vértice (apontado no último Enem como a melhor escola particular do Estado) terá, ao fim do ensino médio, 572 aulas de história.Nos dois primeiros anos do ensino médio, o Vértice oferece, por semana, quatro aulas de história (são 40 semanas de aula). Na terceira série, o aluno assiste a seis aulas da disciplina por semana (são 42 semanas).O último ano é integral.Se de um lado caiu o número de aulas de história na rede estadual, os estudantes passarão a ter uma aula semanal de sociologia no primeiro e segundo anos e duas na última série.A carga horária total do ensino médio não sofreu alteração, só houve mudança na distribuição das matérias: além de história, houve redução também nas aulas de educação física e geografia no diurno, e de língua estrangeira (em geral, inglês ou espanhol) no noturno (que possui a maioria dos alunos)."Por conta da lei federal, tivemos de nos adaptar, pois não há espaço para ampliar a jornada.Estudamos o assunto e entendemos que essa foi a melhor opção", disse à Folha a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro."Nossa prioridade foi não diminuir língua portuguesa e matemática, que são a base para tudo. História tem muitos assuntos transversais com sociologia e filosofia", disse."A intenção era que houvesse uma ampliação do currículo.O ensino médio não pode ficar emparedado por limitações de horário", afirmou o presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional da Educação, Cesar Callegari.A lei federal, proposta pelo deputado Ribamar Alves (PSB-MA), reforçou uma resolução do conselho de 2006. A reportagem não conseguiu contato com o congressista para comentar a opção de São Paulo. Procurado pela Folha, o Ministério da Educação disse que cabe aos Estados decidir como implementar a nova regra.
Entrevista- Folha de São Paulo - 06 de dezembro 2008
Retirar disciplina da grade curricular é um "erro crasso", diz historiadora
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora do Departamento de História da USP, a retirada de aulas de história da grade curricular é um "erro crasso", que mostra que, para a Secretaria da Educação de São Paulo, a disciplina é menos importante. O ideal seria a ampliação da grade horária, inclusive com um ano de ensino médio a mais no período noturno. (TB)
FOLHA - O que a sra. achou da inclusão das duas disciplinas?
MARIA APARECIDA DE AQUINO - Sou favorável à existência de filosofia e sociologia dentro dos currículos. Estudei em uma época em que tínhamos uma modalidade de ensino mais clássico, com filosofia em todos os anos.Foi uma herança do regime militar tirar essas aulas. Foram absurdos cometidos ao longo dos anos que, evidentemente, precisam ser corrigidos.
FOLHA - E o que achou de reduzir as aulas de história?
MARIA APARECIDA - Não se pode fazer essa continha de somar e extrair. São retiradas normalmente disciplinas consideradas menos importantes. Então, teoricamente, história acaba sendo considerada menos importante no currículo, o que é um absurdo completo e total.
FOLHA - E como resolver?
MARIA APARECIDA - Poderia ser colocada mais uma aula por dia ou ampliar o curso noturno em um ano.
FOLHA - No que a medida prejudica o aluno?
MARIA APARECIDA - História é a ciência que localiza o homem dentro da temporalidade. Faz com que ele tenha noção de se perceber no mundo em que vive, [ensina a] fazer comparações com outros tempos, trazer o passado para o presente e criar ensinamentos para o futuro. É, portanto, uma disciplina fundamental para a formação de qualquer cidadão em qualquer lugar do mundo. Tirar aulas de história é tirar a formação do espírito crítico.
FOLHA - Aulas de filosofia e sociologia não supririam isso?
MARIA APARECIDA - São coisas diferentes. A aula de história tem uma outra finalidade. Cada qual tem seu espaço no pensamento e na formação do conhecimento do aluno. Retirando uma, retira-se um espaço da formação.
Diferente de nossos gestores... ALGUNS AINDA PENSAM , TAL COMO O LEITOR DA FOLHA , INDIGNADO :
FOLHA DE SÃO PAULO - PAINEL DO LEITOR - 8 de dezembro 2008 - "A respeito da reportagem "Aluno de escola estadual terá 80 aulas de história a menos" (Cotidiano, 6/ 12), pergunto: será que o papel do Estado é só formar mão-de-obra? Pois optou por diminuir no currículo justamente a presença da disciplina que possibilita o desenvolvimento do pensamento crítico e capaz de levar o ser a compreender o mundo em que vive. A prova disso está na própria reportagem da Folha, que informa que o colégio Vértice (apontado no último Enem como a melhor escola particular do Estado) oferece quatro aulas de história semanais no dois primeiros anos do ensino médio e seis no terceiro. Desse modo, fica muito difícil entender os critérios adotados pela secretaria estadual paulista." SILVIO LUIZ LOFEGO (São José do Rio Preto, SP)
Mais um ataque do governo Serra ao sistema educacional !!!!!!!!!!!!
Vem aí o "projeto Serra" para educação pública em 2009 para todo o Estado de São Paulo :
A
Folha de São Paulo - 06 de dezembro de 2008.
Aluno de escola estadual terá 80 aulas de história a menos
FÁBIO TAKAHASHIDA
A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo decidiu diminuir a carga horária de história no ensino médio, como forma de compensar a inclusão de sociologia no currículo e a ampliação de filosofia, exigências previstas em lei federal.Com a medida, os alunos do ensino público diurno terão 80 aulas a menos de história, considerando os três anos letivos (redução de 22,2%). No noturno, serão 120 aulas a menos (redução de 37,5%). O cálculo da Folha tem base no mínimo de 200 dias letivos ao ano (40 semanas), previsto em lei.O acréscimo de sociologia e o aumento de filosofia são exigências de uma lei sancionada pela gestão Lula (PT) em junho.Ela prevê que as duas disciplinas sejam dadas nos três anos do ensino médio (SP não possuía sociologia na grade e não havia filosofia no terceiro ano).A norma, porém, não estabelece como deve ser feito o acréscimo. O modelo escolhido pelo governo Serra (PSDB) para o próximo ano letivo foi publicado quarta-feira da semana passada no "Diário Oficial".Com o currículo utilizado em 2008, os alunos do ensino médio diurno têm três aulas semanais de história nos três anos do antigo colegial (360 aulas da disciplina no período).Em 2009, o primeiro ano continua igual, mas haverá redução para duas aulas semanais da matéria no segundo e terceiros anos (total de 280).Como base de comparação, um aluno do Vértice (apontado no último Enem como a melhor escola particular do Estado) terá, ao fim do ensino médio, 572 aulas de história.Nos dois primeiros anos do ensino médio, o Vértice oferece, por semana, quatro aulas de história (são 40 semanas de aula). Na terceira série, o aluno assiste a seis aulas da disciplina por semana (são 42 semanas).O último ano é integral.Se de um lado caiu o número de aulas de história na rede estadual, os estudantes passarão a ter uma aula semanal de sociologia no primeiro e segundo anos e duas na última série.A carga horária total do ensino médio não sofreu alteração, só houve mudança na distribuição das matérias: além de história, houve redução também nas aulas de educação física e geografia no diurno, e de língua estrangeira (em geral, inglês ou espanhol) no noturno (que possui a maioria dos alunos)."Por conta da lei federal, tivemos de nos adaptar, pois não há espaço para ampliar a jornada.Estudamos o assunto e entendemos que essa foi a melhor opção", disse à Folha a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro."Nossa prioridade foi não diminuir língua portuguesa e matemática, que são a base para tudo. História tem muitos assuntos transversais com sociologia e filosofia", disse."A intenção era que houvesse uma ampliação do currículo.O ensino médio não pode ficar emparedado por limitações de horário", afirmou o presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional da Educação, Cesar Callegari.A lei federal, proposta pelo deputado Ribamar Alves (PSB-MA), reforçou uma resolução do conselho de 2006. A reportagem não conseguiu contato com o congressista para comentar a opção de São Paulo. Procurado pela Folha, o Ministério da Educação disse que cabe aos Estados decidir como implementar a nova regra.
Entrevista- Folha de São Paulo - 06 de dezembro 2008
Retirar disciplina da grade curricular é um "erro crasso", diz historiadora
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora do Departamento de História da USP, a retirada de aulas de história da grade curricular é um "erro crasso", que mostra que, para a Secretaria da Educação de São Paulo, a disciplina é menos importante. O ideal seria a ampliação da grade horária, inclusive com um ano de ensino médio a mais no período noturno. (TB)
FOLHA - O que a sra. achou da inclusão das duas disciplinas?
MARIA APARECIDA DE AQUINO - Sou favorável à existência de filosofia e sociologia dentro dos currículos. Estudei em uma época em que tínhamos uma modalidade de ensino mais clássico, com filosofia em todos os anos.Foi uma herança do regime militar tirar essas aulas. Foram absurdos cometidos ao longo dos anos que, evidentemente, precisam ser corrigidos.
FOLHA - E o que achou de reduzir as aulas de história?
MARIA APARECIDA - Não se pode fazer essa continha de somar e extrair. São retiradas normalmente disciplinas consideradas menos importantes. Então, teoricamente, história acaba sendo considerada menos importante no currículo, o que é um absurdo completo e total.
FOLHA - E como resolver?
MARIA APARECIDA - Poderia ser colocada mais uma aula por dia ou ampliar o curso noturno em um ano.
FOLHA - No que a medida prejudica o aluno?
MARIA APARECIDA - História é a ciência que localiza o homem dentro da temporalidade. Faz com que ele tenha noção de se perceber no mundo em que vive, [ensina a] fazer comparações com outros tempos, trazer o passado para o presente e criar ensinamentos para o futuro. É, portanto, uma disciplina fundamental para a formação de qualquer cidadão em qualquer lugar do mundo. Tirar aulas de história é tirar a formação do espírito crítico.
FOLHA - Aulas de filosofia e sociologia não supririam isso?
MARIA APARECIDA - São coisas diferentes. A aula de história tem uma outra finalidade. Cada qual tem seu espaço no pensamento e na formação do conhecimento do aluno. Retirando uma, retira-se um espaço da formação.
Diferente de nossos gestores... ALGUNS AINDA PENSAM , TAL COMO O LEITOR DA FOLHA , INDIGNADO :
FOLHA DE SÃO PAULO - PAINEL DO LEITOR - 8 de dezembro 2008 - "A respeito da reportagem "Aluno de escola estadual terá 80 aulas de história a menos" (Cotidiano, 6/ 12), pergunto: será que o papel do Estado é só formar mão-de-obra? Pois optou por diminuir no currículo justamente a presença da disciplina que possibilita o desenvolvimento do pensamento crítico e capaz de levar o ser a compreender o mundo em que vive. A prova disso está na própria reportagem da Folha, que informa que o colégio Vértice (apontado no último Enem como a melhor escola particular do Estado) oferece quatro aulas de história semanais no dois primeiros anos do ensino médio e seis no terceiro. Desse modo, fica muito difícil entender os critérios adotados pela secretaria estadual paulista." SILVIO LUIZ LOFEGO (São José do Rio Preto, SP)
domingo, dezembro 07, 2008
A ESCOLA que NÃO PENSA !
A
A BARBÁRIE DA EDUCAÇÃO*
"Por que o Joãozinho não sabe ler "
"Por que o Joãozinho não sabe ler "
"quando uma sociedade não pode ensinar, é porque essa sociedade não pode ensinar-se ...uma sociedade que não se ama , que não se estima, e esse é o caso da sociedade moderna". (Charles Péguy*)
Hannah Arendt abordava em 1968 o problema da crise da educação que afeta os Estados Unidos e os países desenvolvidos a partir de uma simples questão de saber “por que o pequeno John não sabe ler”. (...) A resposta cínica à pergunta de H.A. consistiria talvez no seguinte : o pequeno John não sabe ler porque , em vez de lhe darem um livro, deram-lhe antes uma arma. Todos sabem que as crianças , antes de serem escolarizadas, passam várias horas por dia na frente da televisão sem terem visto um livro até então. (...) o choque repetido de imagens violentas em um universo virtual que a criança não distingue claramente do mundo real é anterior à descoberta da escola.
(...) a escola é o lugar do pensamento , aberto e autônomo.(...) O homem só poderá conhecer e agir se começar primeiro a pensar, a fim de conseguir progressivamente pensar aquilo que aprende . (...) Aqueles que só querem ver na escola um lugar de vida ( a escola à deriva da rua e vulnerável à toda barbárie e caos social ), ou um lugar de violência simbólica, amputam à educação sua dimensão mais importante e mais profunda . Essa recusa do pensamento engendra (...) uma barbárie tanto mais irremediável (...).”
* *Cap 4 de “A Barbárie Interior: ensaio sobre o i-mundo moderno”, de Jean-François Mattei, SP, Editora UNESP, 2002
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