
domingo, abril 27, 2008
A Vida Humana ( segundo o budismo)
Um professor eremita da "delicadeza perdida"
A história do profeta Gentileza ,que foi um personagem real no Rio de Janeiro , sempre me atraiu a curiosidade e o coração . Há alguma coisa mágica em alguns loucos , e essa magia se chama "lucidez às avessas". Seu principal ensinamento, a meu ver, é que bondade e delicadeza são culturas necessárias para se cultivar , e não brotam de jeito nenhum se não regar.Gonzaguinha sobre ele, na época, fez uma musica simples-linda , "Gentileza", asssim:
"Feito louco
Pelas ruas
Com sua fé
Gentileza
O profeta
E as palavras
Calmamente
Semeando
O amor
À vida
Aos humanos
Bichos
Plantas
Terra
Terra
nossa mãe.
(...)
Encontrar
Perceber
Se olhar
Se entender
Se chegar
Se abraçar
E beijar
E amar
Sem medo
Insegurança
Medo do futuro
Sem medo
Solidão
Medo da mudança
Sem medo da vida
Sem medo medo
Da gentileza
Do coração.
Feito louco
pelas ruas... "
(o texto a seguir é de Leonardo Davino , do blog "Mirar e Ver" http://medindodias.blogspot.com/2008/04/delicadeza-perdida.html )
"José Datrino, o profeta Gentileza, tornou-se conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba. Hoje ele faria 91. Em tempos da delicadeza perdida, a mensagem deixada pelo profeta ainda é um alerta para nós. Para quem não conhece, um pouco da sua história:
No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um trágico incêndio no "Gran Circus Norte-Americano". Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças.Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, Datrino acordou alegando ter ouvido "vozes astrais", que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói. Aquela foi sua morada por quatro anos.Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido da palavra Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “Profeta Gentileza”.Após deixar o local que foi denominado “paraíso Gentileza”, o profeta começou a sua jornada como andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho.Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, ele faleceu. Com o decorrer dos anos, os murais do viaduto foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. O apagamento das inscrições foi criticado e posteriormente organizou-se o projeto “Rio com Gentileza”, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar"."
quinta-feira, abril 24, 2008
100 anos da Imigração Japonesa no Brasil 1908/ 2008
Tenho uma dívida enorme para com os japoneses imigrantes. Eles trouxeram o Budismo Zen para este país do samba-futebol-catolicismo-carnaval. Como é que pôde , eu , uma brasileira , ter-me identificado com coisa tão "atroz" segundo a lógica de nossa cultura cristã , ficar sentada horas a fio diante de uma parede, em meditação !? Hora, para que serve isso?! O "Santo Deus!" que aprendi a chamar nas horas de dúvida e aflição se transformou numa parede , estancou mudo , imóvel e coisificado em minha frente. Depois de anos de prática à frente DELE , "Santo Deus" se tornou TUDO - coisas a que estou ligada ( apegada) , e coisas a que estou ( ilusoriamente) separada. Tudo por causa dos ilustres imigrantes japoneses. Hoje sou zen-budista , vinda de família de tradição católica ( minha mãe era da "Legião de Maria", aquela coisa bem católica irlandesa, e me legou muita fé (!) em meio a tanta diversidade.
Abanando Café - década de 30 - um japonês e um afro-descendente

A todos os Budhas , Bodhisattvas , Mahasattvas , agradeço a vinda do primeiro navio "Kasato Maru" em 1908. Agradeço e peço que nos perdoem os maus-tratos , a exploração do trabalho nas lavouras de café , o preconceito político-racial sofrido durante a Segunda Guerra. Agradeço o exemplo de superação das dificuldades como coisa temporária que é , enquanto rezavam à Grande Compaixão ( Kanzeon) que minimizasse a ignorância dos poderosos. Aos japoneses , minha reverência em agradecimento à religião que hoje pratico. Aprendi com eles um novo, belo e pacífico caminho para minha espiritualidade. Na hora certa , no momento certo , e sem que nenhum dogma me tenha sido ensinado, aprendo a cada dia a aceitar "o assim como é": a VIDA e a MORTE - transformação e impermanência - são o "assim como é".
v
Gasshô ( mãos em prece , palma com palma ) a todos os imigrantes japoneses .
segunda-feira, abril 21, 2008
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