sexta-feira, junho 12, 2009

Mais Tambor : Cangoma !

"Tava durumindo
cangoma me chamou
Disse levanta povo
cativeiro já acabou."

Há um tambor grande chamado de cangoma ou angoma. Esse tambor avisa , no registro da canção, o fim da escravidão , como os sinos das Igrejas que tocavam avisando e marcando os momentos importantes da vida da comunidade.

Segundo um site bacana do Centro Cultural Cangoma , na cidade de Franca , no Estado de São Paulo, a palavra "cangoma" significa também “festa dos tambores”. Fazer um Cangoma significa “vamos festejar”.

A canção "Cangoma" é um vissungo , e está cantada originalmente no disco "Canto dos Escravos"(1982 ?), de Clementina de Jesus. O vissungo , nome dado ao canto dos escravos das lavras de mineração em Diamantina - MG, faz parte de uma coleta etnolinguística feita em 1928 ( veja mais sobre vissungos em http://tudomudatudo.blogspot.com/search?updated-max=2009-04-25T20%3A50%3A00-03%3A00&max-results=15 )

A mesma canção Cangoma também é cantada hoje por aí , só que enxertada no Hino do Congresso Nacional Africano , que fica registrada sob o título "Tambores de Mina" . Tal nome advêm do Maranhão, dos cultos de origem africana realizados nas casas ou terreiros de mina, que se asemelham aos candomblés. Mina é um grupo étnico do Gana (negros sudaneses) - antigos negociantes de escravos da região do Forte São Jorge de Mina, situado na Costa do Ouro. Acaba ficando uma grande mistura de origens e informações, África , Maranhão e Minas Gerais.


Tambores de Mina (Cangoma)

Nkosi sikelel'i Àfrika
Maluphakanyslw'uphondo iwayo
Tava du r umindo, tambor me chamou
N'kosi sikelela thina lusapho iwayo

Sansa Kroma
yo kye kye kokomba
Sansa kroma nena yo...

"Tava durumindo cangoma me chamou".
"Tava durumindo cangoma me chamou"
Disse levante povo cativeiro já acabou

Sansa Kroma
Nena yo
kye kye kokomba
Sansa kroma
Nena yo... Kokomba (bis 4x)


Sobre a parte da canção em língua africana , é o Hino do Congresso Nacional Africano , encontra-se tradução no youtube http://www.youtube.com/watch?v=APGZiMcDvYY . Fundado em 1912 , o Congresso Nacional Africano é hoje a principal legenda partidária na África do Sul. Criada para combater a segregação racial , teve entre um de seus maiores lideres, o ex-presidente Nelson Mandela.

Outras informações e letras estão nos site http://www.meninosdomorumbi.org.br/banda/partituras/tambor.htm (pode-se ouvir a música indo lá) ; e em http://cangoma.blogspot.com/ .

O Mawaca tem uma linda gravação desta canção em "Astrolábio Tucupira"(2003), e ainda homenageiam Clementina de Jesus colocando no final da canção a sua voz.

Outro grupo maravilhoso , que pesquisa o mesmo campo da identidade musical brasileira, é o Vozes Bugras :http://www.myspace.com/vozesbugras


O canto da sobrevivência do "ser" urbano e contemporâneo, por Meredith Monk

The Tale ,
de Meredith Monk

I still have my hands
I still have my mind
I still have my money
I still have my telephone
I still have my allergies
I still have my philosophy




From a reconstruction of Meredith Monk’s 16 Millimeter Earrings, 1980. (c. Kenneth Van Sickle via NY Times) / imagem publicada no do site http://thetotam.com/culture/2009/02/


Prá ouvir (pena que só tem o início, ela nem chega a cantar a letra): http://musicaonline.sapo.pt/prelisten/9181398/The_Tale_Meredith_Monk_-_Meredith_Monk_Collin_Walcott_Steve_Lockwood

quinta-feira, junho 11, 2009

"JAMARI´S DRUM", um livro sobre DJEMBE


Um livro maravilhoso , que me emprestaram, traz a história de um tambor africano ( o djembe ) e de um menino de bom coração , Jamari , que sempre respeitou as tradições e os anciãos de sua aldeia. Ele se torna herdeiro de uma nobre e necessária missão : bater o djembe, o tambor da tradição ancestral, sem deixar de tocá-lo um único dia de sua vida. Mas Jamari cresceu e constituiu família , e “esqueceu” (deixou!) de tocar o djembe, então , tragédias começaram a acontecer. Desequilíbrios da natureza, medo e desespero transformam a vida da aldeia. Jamari , como os heróis de nossos desejos , vai salvar a sua aldeia tocando o djembe.

Entre as tantos lições possíveis desta pequena narrativa, está a idéia de que“quem não abandona suas tradições não arranja , nem provoca, encrencas”. Isso se você se encontrar em contexto cultural próprio. Senão vejamos , ao serem trazidos para o Brasil , os africanos tiveram que aguentar a carraspana das "sinhás" e dos "sinhôs", como bem lembra o compositor João da Baiana , "batuque na cozinha a sinhá não quer, por causa do batuque eu queimei meu pé". Aqui , seja no contexto "colonial" ou da "ex-colônia" , preservar elementos da cultura africana era "arranjar encrenca".

E incrivelmente , sem relação direta com o livro , conversava com uma jovem educadora, dias destes – a mesma que me emprestou o livro - e ela disse algo que seu irmão lhe dizia, algo como “quem se agarra aos livros não arranja encrencas”.

Livros e tambores podem ser formas de resistência, podem denotar a liberdade que queremos , mas ao mesmo tempo pode significar a dependência aos “fetiches” de nossa cultura. Não importa , são MÁGICOS e MARAVILHOSOS “fetiches” , os livros e os TAMBORES.


KASSOUMSANOGO djembe solo 4

TAMBORES , os da África

Símbolo da resistência , exteriorização das batidas do coração, o TAMBOR em seus vários significados em diversas culturas, e seus vários nomes. Um de seus nomes é DJEMBE.

Djembê (também chamado de djimbe, jembe, jenbe, yembe e sanbanyi) é um tipo de tambor originário de Guiné na África ocidental.



OBS : Guiné é o nome dado à costa africana que vai aproximadamente desde o Cabo Verde, no Senegal, até à foz do rio Ogowe, no Gabão. Por vezes é estendido mais a sul até à foz do rio Rio Congo.

A

Desconheço os créditos desse vídeo , mas indico a origem http://www.youtube.com/watch?v=zxKHN0HSuzA

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São Paulo, SP, Brazil