sábado, junho 30, 2007

Origem cultural-histórica de alguns "ditados populares"

A Sabedoria dos Ditados

Rogério Lacaz-Ruiz


"É a mulher que faz ou desfaz a casa"

"Deus, que é eterno faz com que cada um tenha o seu dia"

(Provérbios árabes)

Tudo o que diz respeito a natureza humana, é comum a todos. Nem por isso, perdemos nossa individualidade; somos responsáveis pelos nossos atos, e não podemos desfazê-los. (...)
A sociabilidade do homem, não exclui sua individualidade. A sociedade continuará existindo, independente de nós; e existem certos princípios que valem para todos os homens. Estes princípios, que fazem parte da cultura, são valores transmitidos de geração em geração, de pais para filhos, e correspondem ao mundo real, e à verdade das coisas. Por este motivo são perenes e universais, contrapondo aos chavões, próprios de algum lugar, ou limitados no tempo.
Os ditados, ou "...sentenças do ocidente medieval e da tradição árabe (amthal) são totalmente distintos dos sentenciários contemporâneos, veiculados por livros folhinha, livros-agenda e demais pílulas de otimismo, reflexão em gotas, etc ... Sentenças hoje, sentenças dos antigos. Há porém, uma decisiva diferença entre nosso pensamento minimalista e a sabedoria dos antigos: nós estamos voltados somente para o interessante; eles, para a verdade das coisas." (Lauand, 1994.)
Por estes motivos - o da universalidade e o da perenidade -, vale a pena recordar alguns ditados populares, que irão enriquecer o nosso cotidiano, e poderão contribuir para simplificar as nossas relações sociais, ou mesmo o viver.
Um primeiro exemplo, vem de Tomás de Aquino (1225-1274) São sentenças usadas em seus escritos, ou cunhadas por ele próprio. Des-te modo, verificamos que muito do que dizemos hoje, já era lugar-comum há alguns séculos, o que reforça sua perenidade e universalidade.
1. "O poder mostra o que o homem é"
2. "Cada qual com seu igual"
3. "Para frente é que se anda"
4. "Uma andorinha só não faz verão"
5. "Ler e não entender é negligenciar"
8. "Quem diz as verdades, perde as amizades"
9. "A verdade gera o ódio"
10. "Sou homem e tudo o que é humano me diz respeito" (Terêncio)
Também para a tradição ocidental, os ditados e sentenças de ori-gem latina representam um tesouro cultural. Fumagalli (1955) recolheu 2948 "sentenze proverbi motti divise frasi e locuzioni latine", e alguns, que dizem respeito particularmente ao homem, podem ser recordados.
1. Homo est animal bipes sine pennis (Platão)
"O homem é um animal bípide sem penas".
2. Homo est animal bipes rationale (Boecio)
"O homem é um animal bípide racional".
3. Homo de humo (S. Bernardo)
"O homem é feito da terra".
4. Homo proponit, sed Deus disponit (Tomás de Kempis)
"O homem propõe e Deus dispõe".
É curioso notar a perenidade destes ditados, pois "O homem pro-põe e Deus dispõe" foi escrito por um europeu que nasceu em 1380; Boé-cio era do sec.V; S. Bernardo (1090-1153) e Platão (427-349 a.C.). E com certeza já escutamos de algum familiar um destes dizeres. O conhecido provérbio "Mais vale um pássaro na mão, do que dois voando" é de origem árabe, e foi usado na França medieval. (Hanania, 1995.) e o "Antes só do que mal acompanhado" ("Mejor sería andar solo que mal acompañado") já era usado em 1335 na Espanha. (Fujikura, 1995.)
Os provérbios chineses, tem uma característica muito peculiar: são compostos de quatro ideogramas e, segundo Horta (1997), "Trata-se de um máximo de informação em um mínimo de espaço." Estes provérbios, são tidos também como um "tesouro, revelando estruturas universais da vida..."
1. Chi Ren Shuo Meng (Idiota Pessoa Falar Sonho)
- Usado quando alguém diz algo absurdo.
2. Yu Su Bu Da (Desejo Velocidade Não Sucesso)
- Semelhante ao provérbio "A pressa é inimiga da perfeição".
3. Hua Er Bu Shi (Flor mas não fruto)
- Para pessoas que tem uma aparência, mas não conteudo.
4. Fu Shui Nan Shou (Derramar Água Difícil Coletar)
- Em nosso meio, diríamos: "Não adianta chorar o leite derramado".
5. Dui Niu Tan Qin (Conforme Vaca Tocar Alaúde)
Ou seja "Não jogue pérola aos porcos".
Apesar de notarmos que algumas sentenças e provérbios descritos anteriormente utilizam as características dos animais domésticos para fa-zer alguma analogia com o homem, vale a pena recordar outros, ampla-mente utilizados em nosso meio.
1. Não coloque o carro na frente dos bois.
2. Você levou gato por lebre.
3. Caiu do cavalo.
4. Montou no porco.
5. Cacarejar e não botar ovos.
6. Quem se faz de cordeiro será comido pelo lobo.
7. Quem não tem cão, caça com gato.
8. Macaco que muito pula quer chumbo.
9. Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
10. Filho de peixe, peixinho é.
11. Quem quebra o galho é macaco gordo.
12. Animal que urina para trás, coloca o dono para frente.
13. Passarinho que come pedra sabe o ânus que tem.
14. Cão que ladra não morde.
15. A cobra vai fumar.
16. Cada macaco no seu galho.
17. Cutucar a onça com a vara curta.
18. Lobo com pele de cordeiro.
19. Ovelha negra da família.
20. Chutar cachorro morto é fácil.
21. Não cortar a pata do burro por um único coice.
22. Matar dois coelhos com uma cajadada só.
23. A cavalo dado não se olha os dentes.
24. Gato escaldado tem medo de água fria.
25. Os cães ladram e caravana passa.
26. Não jogar pérola aos porcos.
27. Quando o gato sai, os ratos fazem a festa.
28. Focinho de porco não é tomada.
29. Em rio com piranha, jacaré nada de costas.
30. Jacaré que fica parado vira bolsa.
31. Está na hora da onça beber água.
32. Um dia é o da caça, outro do caçador.
33. Não chame o papagaio de meu louro.
34. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
35. Fez do lobo o guardião de ovelhas.
Como se pode observar, as palavras ganham força, quando se adequam a realidade, quando dizem respeito ao ser humano e a sua natureza. Recordar os ditados, sentenças, provérbios de diferentes origens e épocas históricas, reforça a tese de que são universais e perenes; e que podem ser aplicados no dia-a-dia para simplificar a vida, retratar uma realidade, ou até mesmo ajudar, com bom humor, um amigo a (re)ver algo.

Referências Bibliográficas
Fujikura, A.L.C. "Provérbios literários e "enxiemplos"" da Espanha Me-dieval. In: L. J. Lauand (org.) Oriente & Ocidente: Idade Média: Cultu-ra popular. São Paulo: EDIX/ CEAr/DLO-FFLCH/USP, 1995, pp.25-30.
Fumagalli, G. L’ape Latina: 2948 sentenze proverbi motti divise frasi e locuzioni latine. Milano: Hoepli, 1955, p.108-109.
Hanania, A.R. "Une foiz es la premiere - Provérbios franceses medievais" In: L. J. Lauand (org.) Oriente & Ocidente: Idade Média: Cultura popu-lar. São Paulo: EDIX/ CEAr/DLO-FFLCH/USP, 1995, pp.19-24.
Horta, S.R.G. "Provérbios na tradição chinesa". In: Bretzke, G.G. & Horta, S.R.G. Calidoscópio. São Paulo: Mandruvá, 1997, p.51-58.
Lauand, L.J. "Sentenças de sabedoria dos antigos". In: Hanania, A. R.; Lauand, L.J. Oriente & Ocidente: Sentenças e sabedoria dos antigos. São Paulo: EDIX/Centro de Estudos Árabes DLO-FFLCH/USP, 1994.

texto original no site http://www.hottopos.com.br/vidlib2/a_sabedoria_dos_ditados.htm

Um bom texto para os alunos do ensino fundamental II , com simplicidade e pouca arogância erudita dá para explicar o origem histórica e cultural de alguns ditados populares. Aproveitem caros alunos.

sábado, maio 19, 2007

O Aborto e as Religiões


Aborto: Uma Perspectiva Judaica

“Por motivos diferentes, muitas mulheres optam por interromper a gravidez, abortando o feto que têm em seu ventre. Há certas ocasiões em que as razões que as levam a esta decisão são de carácter económico, porque o casal, ou a pessoa, considera que não tem os meios necessários para manter a criança que iria nascer, tomando em conta as exigentes necessidades que a nossa sociedade impõe aos seus membros. Outras pessoas optam pelo aborto porque consideram que emocionalmente não podem enfrentar todas as implicações que significa trazer um ser humano a este mundo. Certas sociedades modernas estimulam o controlo da natalidade por considerarem que não podem solucionar os problemas que um aumento de população representa. Um dos métodos de controlo é o aborto.Toda a mulher deve poder decidir por si própria o que deseja fazer com o seu corpo. O Talmude afirma: “Úbar yérej imó”, que significa que o feto faz parte do corpo da mulher e por isso carece de individualidade própria. Por exemplo, no caso da conversão de uma mulher grávida ao judaísmo, a conversão é igualmente válida para o bebé quando nasce.O Talmude considera também o facto do feto poder ameaçar a vida da mãe. Em tal eventualidade, interrompemos a gravidez para salvar a vida da mãe. Rambam [rabino Moshe ben Maimon, conhecido como Maimonides (1135-1204)] menciona que o feto pode ser considerado como rodef (perseguidor) nos casos em que ponha em perigo a vida da mãe. Segundo outras apreciações [outros comentadores e talmudistas] se conclui que não se pode qualificar o feto de rodef por este carecer de vontade própria e não ter a faculdade de poder escolher livremente a sua conduta.Agora, podemos afirmar que o feto é uma criatura à parte e independente da sua mãe? Ou talvez considerar o feto, antes do seu nascimento, como uma espécie de órgão adicional da mãe. O Talmude ensina que se lhe proporciona uma alma ao embrião no momento da concepção. É claro que, segundo o Talmude, o feto possui individualidade e, por isso, é um ser aparte da mãe, e não pode ser considerado como um outro órgão da mesma forma. O Talmude refere-se ao embrião durante os primeiros quarenta dias de gestação como mayá beamá, que quer dizer “simplesmente água’. Podemos deduzir que até este momento não se considera o embrião como um ser humano em todo o sentido. Mas tão pouco se implica que deixemos de apreciar que estamos frente a uma vida humana em potência.O factor determinante é sem dúvida a saúde e o bem estar da mãe.Nos casos em que o feto tem deficiências genéticas a nossa tradição desaconselha o aborto porque não existe a certeza da falha que se aprecia não pode ser corrigida no futuro. E que diferença terá para nós o conceito de vida de um ser que tem deficiências com um que não tem?Teremos sempre em conta os efeitos negativos que um bebé nestas circunstâncias pode trazer para à mãe, se a mãe afirma e decide que não quer dar à luz um filho com sérias deficiências mentais ou físicas e isso será motivo para o seu desespero, aqui se pode pensar na possibilidade de fazer um aborto, pois a nossa responsabilidade primária tem a ver com a saúde e o bem estar do ser humano integro, que neste caso é a mãe.”

Rabino Assor

In “Reflexões Sobre o Aborto” (1991), Luz – Textos e Depoimentos (Âncora, 2001), uma recolha de escritos de Abraão Assor, rabino da comunidade judaica de Lisboa de 1941 a 1993.

Em termos gerais, tal como escreveu o saudoso rabino Abraão Assor neste texto que transcrevemos, a Halacha (Lei Judaica) não só permite o aborto, como em algumas circunstância exige a interrupção da gravidez. Acima de tudo, norteada pelo princípio da responsabilização individual – um princípio central do judaísmo –, a tradição judaica coloca a decisão na esfera familiar e, por vezes, comunitária.Historicamente, nos países onde a interrupção voluntária da gravidez se tem assumido como tema político de clivagem – especialmente nos EUA –, as comunidades judaicas têm manifestado uma oposição unânime à restrição do aborto por via legislativa. Os três principais ramos do judaísmo moderno (ortodoxo, conservador e reformado) defendem que a discussão do aborto pertence apenas e exclusivamente às mulheres e famílias afectadas, e não deve ser motivo de regulamentação legislativa ou demagogia política.Mesmo assim, nos últimos anos, surgiram algumas correntes anti-aborto no seio de movimentos judaicos ultra-ortodoxos, influenciados em grande medida pela forma como o tema tem elevado a importância política de movimentos idênticos na direita cristã. A pressão de alguns partidos religiosos ultra-ortodoxos em Israel, por exemplo, fez com que as dificuldades económicas deixassem de constar da lista de razões legalmente reconhecidas para que uma mulher podesse recorrer ao sistema nacional de saúde para abortar. Ainda assim, em Israel a interrupção voluntária da gravidez continua a ser legal – gratuita ou com custos moderados –, com algumas restrições consideradas “meramente formais” (ver Abortion in Israel: Terms of Termination).

O texto original está em http://ruadajudiaria.com/?p=58. Um excelente blog português.

Aborto : Uma Visão Zen Budista

Resposta da Monja Coen a uma pergunta sobre a pena de morte, aborto e eutanásia


"O Budismo é descentralizado e não poderia responder pelo Budismo, nem eu, nem nenhum monge ou monja.
Podemos falar sobre a nossa visão baseada nos ensinamentos de Buda - ou a visão de nossa linhagem (e são inúmeras).
Assim sendo, eu, Monja Coen, da linhagem de Zengetsu Suigan Daiosho, que vem do Buda histórico Shakyamuni Buda até mestre Eihei Dogen no século XIII no Japão e mestre Keizan Jokin, século XIV no Japão e seus sucessores Gasan Joseki Daiosho e Tsugen Jakurei Daiosho, tenho as seguintes opiniôes:
Sou contra a pena de morte - acredito na não violência ativa e na possibilidade de transformação e arrependimento do ser humano;
Sou a favor da legalização do aborto e da educação ética de forma que os abortos não fossem necessários a não ser em casos especiais - cada pessoa, cada médico deve avaliar as necessidades físicas e psíquicas de suas pacientes, principalmente em um país onde as mulheres chegam feridas, mutiladas, por tentarem o aborto em casa;
Eutanásia significa morte suave e tranquila - não posso ser nem a favor nem contra. Se eu pudesse escolher para mim escolheria uma morte suave e tranquila.
Veja bem, o que você está perguntando?
Você deve estar querendo saber se devemos deixar pacientes terminais morrer "naturalmente" ou se devemos interferir para prolongar sua vida ou "sofrimento." De novo, como no aborto, acredito que cada ser humano é único e cada caso deve ser considerado. Por isso, poderia ser legalizada a possibilidade de se morrer sem intervenções traumáticas para determinados pacientes, desde que acompanhada de uma educação ética - evitando assim abusos quer para obter orgãos ou heranças, quer para abrir leitos em hospitais ou amenizar a dor dos parentes e amigos, bem como os custos hospitalares. O primeiro preceito budista é não matar
As interpretações do Preceito varia de grupo para grupo.
Podemos compreender literalmente, intrínsicamente e de forma absoluta. Na verdade temos de praticar das três formas simultaneamente. Não matar é não tirar vida de forma alguma, nem se envolver nas causas e condições de tirar vida. Mas também não podemos deixar de seguir a natureza e seu curso. Assim, a compaixão, o cuidado devem estar incluídos nesse dar vida. E do ponto de vista absoluto não há nascimento nem morte, mas o constante transformar.
Por isso os ensinamentos sobre os Preceitos devem ser cuidadosamente estudados e compreendidos.
Não mate Buda. Não mate a Sabedoria Suprema. Não destrua a Compaixão. Dê vida a Buda em sua vida.
Buda - Ser Iluminado, Sabedoria Suprema, Verdade Clara, Compaixão Ilimitada. "
Mãos em prece


Vários outros textos escritos pela Monja Coen podem ser encontrados através deste link:
http://www.monjacoen.com.br/textos_budistas.htm

DIA MUNDIAL SEM CARRO !
2007

22 de setembro




Ande de Bicicleta





mas , USE CAPACETE !






sábado, fevereiro 10, 2007

Criando e recriando hábitos sustentáveis para cuidar da vida e do meio- ambiente
Lei transforma bike em meio de transporte
Áreas públicas devem ter bicicletários; e novas obras viárias, ciclovias - por Sérgio Duran - OESP - Quinta-feira, 8 fevereiro de 2007



Os defensores da bicicleta como saída para a poluição e o congestionamento crescentes da capital paulista ganharam mais uma razão para seguir apostando nos pedais. Lei sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL), publicada ontem no Diário Oficial, instituiu o Sistema Cicloviário do Município, que transforma a bike em meio de transporte e determina medidas de incentivo ao ciclismo.Elaborada pelo vereador Chico Macena (PT), a lei determina que de shoppings a terminais de transporte tenham bicicletário e autoriza a exploração comercial deles - e indica a permissão de bikes em vagões de metrô e trem e obriga que toda nova obra viária inclua ciclovia ou ciclofaixa. O substitutivo que deu origem à lei recebeu sugestões do secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que coordena o grupo intersecretarial Pró-ciclista, responsável pelas políticas da Prefeitura para o setor.Há quem duvide das propostas. 'No papel é ótimo, mas não creio que saia', afirma Paulo de Tarso, presidente do São Paulo Bikers. Organizações como essa e a Night Bikers reúnem cerca de 30 mil paulistanos, segundo a Federação Paulista de Ciclismo.Moradora da Granja Viana, a analista de sistemas Mônica Magalhães, de 31 anos, pedala duas horas por dia por lazer, mas já usou a bike como meio de transporte. 'Quando você não tem condicionamento, sua muito. Com o tempo, nem uma gota. Dá para trabalhar perfeitamente pedalando', conta.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

TERMINARAM AS FÉRIAS ....


... MAS ANTES ,


"Sahymos" para a
Barra do Sahy - São Paulo - SP











Passeamos (pelas ruas do centro histórico) de




PARATY - Rio de Janeiro RJ












Anoitecendo, voltamos (pelas montanhas)
por


São Luis de Paraitinga - São Paulo - SP







Pena foi ter que voltar .
Minha foto
São Paulo, SP, Brazil